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Aziza Eduarda

caderno compartilhado

"a casa de Orí" é um processo de investigação multilinguagem que traz como tema central o encontro de negros em diáspora com sua ancestralidade.  Orí que é orixá, é também o destino escolhido por cada um antes de vir ao mundo. Conta um itan iorubá que cada pessoa escolhe na casa de Ajala, oleiro, sua cabeça e consequentemente o seu destino, deste princípio é feita a primeira peça em terracota. 

Pensar ancestralidade africana é de fato imergir em águas escuras, do índigo ao preto. Nesse segundo ato Orí ganha tons de Wàji, e é a figura que toca sutilmente a cabeça de sua devota. Na dualidade presente na pintura, podemos ver África e Diáspora, Ayê e Orum, Orí e Ile Orí. Enquanto elemento escurecedor o índigo é tecido que recobre a escrita em imagens noturnas. Daí a proposta de título "Escrever no escuro", citação de Conceição Evaristo. Pensar caminho de retomada é relembrar a prosperidade, assim como a casa de Orí ( Ile Orí) é coberta por búzios, a figura que recebe Orí, casa de seu próprio destino, também é.

Aziza está sentada, retratada de baixo para cima, mostra as pernas cruzadas, busto e rosto. Atrás dela uma pintura. Usa calça mostarda e blusa branca. Cabelo crespo, preto e solto na altura dos ombros. Aziza é uma mulher negra.

Natural de Contagem, região metropolitana de BH, Minas Gerais, Brasil.  Artista plural, fotógrafa, pintora, colagista, diretora e produtora audiovisual, poetisa.  Comecei minha carreira profissional na fotografia aos 15 anos com autorretratos e ensaios.  Hoje com 24 anos, 9 anos de carreira, trabalho com produção autoral, documental, fotojornalismo e moda, tendo como principal foco o registro afetivo do povo negro.  Na pintura e na colagem, o caminho foi de retomada, um resgate do que me movia na infância, e esteve presente nos últimos 4 anos para transcrever as histórias e imagens da beleza e do afeto preto.

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